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Nov 01 2006
A Expectativa de Naama PDF Print E-mail
Written by Mario Coutinho   
Wednesday, 01 November 2006

M rio Coutinho

Naam , por m, muito se indignou e se foi, dizendo: Pensava eu que ele sairia a ter comigo, p r-se-ia de p , invocaria o nome do SENHOR, seu Deus, moveria a m o sobre o lugar da lepra e restauraria o leproso. II Reis 5:11

Certamente que nossas expectativas quanto maneira de operar de Deus sempre ser orientada pela contum cia humana de pensar equivocadamente acerca das coisas de Deus, provavelmente pelo vicio infeccioso que temos herdado em pensar que nossa mente j descobriu a maneira como Ele se move entre os homens em seus projetos.

Como percebemos no texto dado, isso n o caracteriza novidade, j tempos a presun o de saber como deve se comportar o homem de Deus, ou Deus mesmo, tem espa o no cora o do homem e o confunde, n o por ser inten o de Deus ver o homem confundido em suas a es, mas pela teimosia deste homem em entender que os caminhos e inten es de Deus seguem a liberdade soberana de seus pensamentos (Is. 55.8,9).

Outra caracter stica que nos confunde a expectativa da atua o daqueles que se dizem representantes de Deus na Terra. Ou seja, j desenvolvemos um entendimento de como este representante deve agir diante de nossas necessidades. O que, certamente, gera um problema duplo, pois diante da expectativa de um grupo acerca de como deve proceder o representante de Deus gera tamb m um comportamento consciente ou inconsciente nesses tais representantes de como devem eles se comportar em tais situa es.


Queremos na verdade, a reprodu o na nossa exist ncia, na nossa historia pessoal dos magn ficos acontecimentos narrados na B blia, temos um desejo ntimo pelo milagre, pelo maravilhoso, pelo sobre-humano, pelo m stico em ltimo grau, e mesmo que tais eventos n o venham a acontecer, esperamos que aqueles que se apresentam como homens de Deus se comportem como julgamos que deva se comportar um homem que realiza milagres.


O desejo por ver sinais e maravilhas foi sempre um desafio para o minist rio de Jesus, desde o in cio - e compreender o lugar destes milagres sempre se caracterizou como problema ou dificuldade para todos que estudam os evangelhos - percebamos, em sua tenta o no deserto ele desafiado a transformar pedra em p o, e em outra circunst ncia os homens lhe pedem um sinal, e suas respostas nestes momentos ainda s o uma dificuldade para os que me levam a escrever este texto, pois nem s de p o viver o homem e nenhum sinal foi dado quela gera o ou nossa, sen o o sinal do profeta Jonas.


No entanto, o comportamento estereotipado ou perform tico que toma lugar da compreens o da maneira como deveria Deus agir. a expectativa de Naam , para quem o fato de ter sua lepra curada deveria ser precedida por uma manifesta o espetacular, para quem, ainda, a simplicidade era descart vel.
Sen o vejamos, a narrativa de II Reis nos apresenta Naam como o exemplo m ximo daquilo que nossa gera o anseia, o homem realizador, comprometido com vit rias, mesmo que ignorante de que tais vit rias representem a a o de Deus num contexto maior que o que ele pudesse compreender, mas, todavia, representa o exemplo de uma gera o que faz acontecer por seus pr prios esfor os, por seu pr prio trabalho.


O que lhe escapa, n apenas a compreens o da maneira como Deus opera, mas, sobretudo, a capacidade de com seus pr prios esfor os curar-se da doen a que lhe afeta a dignidade, o brio e, que curado, lhe traria a satisfa o total em sua hist ria existencial.
Mas escapa-lhe tamb m, o que ficar claro, a inten o de Deus em transform -lo num exemplo de como opera Sua Gra a entre os homens, pois o exemplo oposto de si mesmo que mostrar o caminho a ser seguido para a cura de sua afli o, o que j deixa claro que Deus se orienta n o na contra-m o de nossas expectativas, mas livre delas.


Uma menina escrava, que fica longe dele, mais pr xima de sua esposa, uma figura que desempenha um papel secund rio nesse processo, ser o elemento surpresa, que conhecendo que pode Deus agir na historia humana mesmo em vidas como a dele, dir o que ele deve fazer para ver-se curado de sua lepra.
Como acontece com todos que tem preocupa es maiores que conhecimento,  Naam se protege em sua expectativa equivocada de como se comportar diante da imin ncia do milagre. Equipa-se com suas ofertas e presentes, ouro, prata e vestidos. Ele quer, de alguma maneira, honrar, enriquecer e alimentar a auto-estima de quem, segundo julga, far o milagre acontecer, uma compreens o notadamente equivocada, mas que em alguns momentos somos levados a reproduzir, quando, por exemplo, julgamos que o homem de Deus deva usar roupas que o destaque entre os homens comuns, ou que o lugar em que ele mora deva ser manifesta o de sua intermedia entre n s e Deus, ou que o carro que dirige deve distingui-lo entre outros.


A surpresa de Naam que todas as suas expectativas s o frustradas, desde a rea o do rei de Israel quando recebe a carta do rei da S ria at a recep o do profeta diante de quem julgaria ser apresentado com honras e bajula es.


Eliseu n o o recebe, manda mensageiros e diferente do que esperava Naam , sua orienta o para o recebimento da cura absolutamente simples, n o representa nenhuma dificuldade, basta mergulhar sete vezes no rio, o rio que esta ali pr ximo a ele, apenas isto: vai e mergulha sete vezes no rio Jord o, s o as palavras do profeta.


Certamente Naam visitara outros m gicos e curandeiros das civiliza es sem ticas e mesopot micas, pois suas palavras refletem a expectativa de ver repetidas as manifesta es t picas dos intermedi rios estereotipados destas civiliza es. Naam queria que Eliseu fizesse um show em sua frente, pegasse folhas ou ervas curandeiras, utilizasse palavras incompreens veis, babasse, soprasse fuma a em seu rosto, movimentasse a m o sobre o lugar da lepra e depois de um xtase ele se veria curado de seu mal. Mas a gra a de Deus veio sobre ele com ares de simplicidade, vai e mergulha sete vezes, o que basta.
A novidade sempre nos surpreende, e quase sempre frustra nossas expectativas, seja ela de que natureza for, mas quando temos a alma preparada por expectativas enraizadas em nossa compreens o, forjadas por paradigmas cristalizados em nossa alma, somos levados a pensar que melhor fora se acontecesse da maneira como esper vamos e n o da maneira como de fato aconteceu.


A um certo momento, para Naam , a frustra o de ter visto uma coisa diferente do que ele esperava tirou de si a compreens o do que realmente importava, ser curado. Para o ser humano nunca vai ser tarefa f cil abrir m o de seus paradigmas, pois s o eles que orientam toda nossa percep o daquilo que nos cerca, desde nossas rela es mais pr ximas a nossa maneira de nos relacionarmos com o Sagrado. No entanto, na realidade da Gra a, nossos paradigmas devem ser substitu dos, quase sempre, pelo oposto do que esperamos.


Veja, quando todo o povo esperava que Deus desse a vit ria sobre os amorreus antes que o dia terminasse, Ele preferiu fazer com que o Sol parasse, quando todos esperavam um grande guerreiro Ele prefere mandar seu pr prio Filho em semelhan a de homem, assumindo a figura de um servo obediente at a morte.


A natureza do problema que vemos hoje, que os que se arrogam profetas de Deus, tem freqüentemente atendido a expectativa que tem os homens das performances estereotipadas e ritual sticas. A expectativa equivocada n o tem cedido lugar para a li o da gra a, mas tem servido para cimentar a expectativa que esteve no cora o de Naam e que ainda habita o cora o dos que n o experimentaram a simplicidade misteriosa da Gra a.


Cabe a conscientiza o de que se Deus for operar na vida de quem quer que seja, nessa opera o Ele n o se resignara a ser o que esperam que Ele seja e nem far o que e como esperam que Ele opere, em sua atua o Ele permanecer sendo Deus, livre, soberano e doador da Gra a.


Lembro-me do que escreveu Bonhoeffer em seu livro Tenta o, na reflex o sobre a primeira tenta o de Jesus no deserto: Deus se manifesta a si mesmo por si mesmo e jamais pelo p mesmo que nossa expectativa pe a ou projete uma atua o dEle a partir de nossas necessidades, certamente o deus que se manifesta nesses momentos produto essencialmente humano, mas nunca ser , por mais que se repita certas manifesta es deste deus o Deus que guia sua vontade pautado unicamente em sua soberania e liberdade.


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